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domingo, 3 de maio de 2015

História da EBD


História da EBD
Nos tempos do antigo Testamento cabia aos sacerdotes, profetas e reis o ensino da Lei de Deus. Isto fica claro quando analisamos a Bíblia e encontramos passagens como a do rei Josafá que enviou levitas e sacerdotes por toda a terra de Judá para ensinar ao povo a Lei do Senhor.[1] No livro de Neemias encontramos outros registros de aulas dadas ao povo de manhã ao meio dia, povo ao qual chorava ao ouvir as palavras da Lei[2]. Aulas religiosas eram também comuns nas sinagogas sempre ministradas sobre a orientação dos doutores da lei.
No Novo Testamento encontramos Jesus como um grande professor do Evangelho em sinagogas, casas, templos e ao ar livre. A igreja primitiva dava também muita importância a o ensino das Escrituras. Paulo e Barnabé, por exemplo, dedicaram suas vidas ao ensino da Palavra de Deus. Professores que passaram um ano ensinando na igreja de Antioquia, um ano e meio na igreja de Corrinto e três anos na de Éfeso de acordo com o livro de Atos.[3]
Com a Reforma Protestante, no século 16, o estudo da Bíblia voltou a ser algo primordial o que trouxe luz a escuridão espiritual que a igreja vivia na Idade Média.  Séculos mais tarde surge na Inglaterra a EBD com contornos semelhantes aos que existem hoje em nossas igrejas. O responsável por esta escola foi o jornalista Robert Raikes que iniciou aulas para crianças pobres aos domingos. Nestas aulas eram ensinadas várias materiais como aritmética, ensino de textos bíblicos e princípios cristãos. Este modelo foi muito criticado na época pelas igrejas que consideravam o seu projeto como “profanador dos domingos”.[4]
Mesmo com oposições em 1782 na cidade de Gloucester nasceu à primeira escola bíblica dominical em caráter permanente através do colaborador batista William Fox. No final de 1784 mais de 250 mil alunos estavam matriculados em escolas espalhadas por toda a Grã-Bretanha. Esta novidade cruzou fronteiras e já no século 19 estava presente em países como Escócia, Holanda, Alemanha e Estados Unidos. Em 19 de agosto de 1855 os missionários Robert e Sarah Kalley iniciaram em Niteroi, no Rio de Janeiro, a aula inaugural da primeira EBD no Brasil cumprindo assim a Grande Comissão.
A Grande Comissão
Jesus tem o ensinamento das escrituras como algo fundamental para os seguidores de ontem e de hoje também. Quando Jesus apareceu para os seus discípulos, após a sua ressurreição, ele deixou uma ordem para que conforme os discípulos fossem fazendo discípulos de todas as nações e batizando-os, deveriam também ensiná-los a guardar todas as coisas que Jesus já havia ensinado (Mateus 28.19-20).
Por isso é impossível existir uma igreja verdadeira que não ensine a palavra de Deus. Digo verdadeira, pois Jesus não nos deixou uma opção ou uma sugestão, mas sim uma ordem. Deixar de realizar o estudo da Bíblia é desobediência. É isso que nos difere daqueles que o seguiam, mas logo o abandonaram por tomar conhecimento de que: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.” (Mateus 10.38).
Dizer que não precisamos da EBD ou qualquer outra  forma de discipulado ou ensino da palavra, e deixar de cumprir parte desta comissão.[5] Deixar de estudá-la e como ser um analfabeto espiritual correndo um sério risco de cometer erros, não gramaticais, mais sim espirituais conhecidos como pecado. A EBD é uma ferramenta para a execução da grande comissão é não algo predestinado a extinção. Mas como não interromper esse ciclo?
Desperte o interesse dos alunos
Quando alguém é alcançado, ou seja, ouve as Boas Novas do evangelho, aceita a Cristo por meio do Espírito Santo e  é batizado  precisa amadurecer a fé por meio do estudo da Palavra de Deus. Por que?  A fim de ser enviado e fazer um outro discípulo. Esse é o ciclo, da grande comissão, que só tem fim com a vinda de Cristo.
Não podemos esperar com que as pessoas se interessem pelo estudo da Palavra de Deus como que num toque de mágica. São os líderes professores que devem esclarecer a toda a igreja que o aprendizado é algo fundamental na vida cristã. O autor do livro Socorro sou professor da Escola Dominical, Lécio Dornas salienta que: “É tarefa do pastor e dos educadores da igreja despertar o interesse, motivar e conscientizar os professores da EBD da sua importância e valor no ministério de ensino da igreja”.[6]
Muitas igrejas, não completam o ciclo da grande comissão. Igrejas que estão cheias de pessoas que param no estágio  do batismo e de lá não saem mais. Pessoas que não se aprofundam no conhecimento das escrituras e assim se acomodam e não se preparam para serem enviadas. Não é de se assustar como alguns ministérios cressem numa velocidade assustadora e outras não. Igrejas que não prezam a Palavra de Deus, não pregam a verdade,  e que ignoram o arrependimento.
Ensine a Bíblia com toda a responsabilidade
O professor é um privilegiado por exercer o ministério do ensino da Palavra de Deus obedecendo e executando a missão dada por Jesus a nós. Ele nunca se esquece de preparar as suas aulas, contextualizar os assuntos que serão abordados em sala, dedicar tempo com Deus em oração, ser pontual e dar todo o louvor a Deus. O resultado disso é que os alunos terão zelo no estudo da palavra e na aplicação do que aprenderam.
Sem alguém, com muita responsabilidade, para explicar a Bíblia é impossível conhecer as escrituras corretamente. Esta é a razão pela qual o professor tem um papel fundamental na vida da igreja. Ele é a ponte entre as escrituras e os alunos. Veja o que Dornas diz em seu livro sobre esta ponte chamada professor:
O professor encontra prazer em ver pessoas atingindo o outro lado do rio. Sem ponte, o outro lado é sonho, com ela é topia, é realidade. Sem a ponte, o mar e o abismo são invencíveis, com ela ambos são domados e superados. Sem a ponte os benefícios da travessia se relativizam, com ela tornam-se desafios. Ser professor da Escola Dominical é ser ponte.[9]
Em seu livro Dornas diz também que o professor é um eterno aluno em constante aprendizado. É um servo de Deus que renuncia uma infinidade de coisas se propondo a ensinar. Diz também que o professor é um canal de crescimento da igreja. O autor cita Valdir Steuernagel ao dizer: “A qualidade de discípulos que o evangelho produzir, no contexto de uma igreja, será o atestado de quão saudável ou enfermo foi o crescimento desta igreja”.[10] Howard Hendricks em seu livro, Ensinado para transformar vidas, diz que:
Há muitos professores que vão para a sala de aula totalmente despreparados ou preparados apenas em parte. São como mensageiros sem mensagem. Falta-lhes a energia e o entusiasmo necessários para produzirem os resultados que, centralizado por direito, devemos esperar de seu trabalho[11].
Faça com que a igreja transmita os ensinos como testemunhas vivas
Jerry Wilkins em um dos seus livros diz que: “Os não crentes não conhecem os benefícios e valores da EBD”.[13] Isso acontece, pois achamos que as pessoas precisam descobrir a Bíblia e sua relevância por elas mesmas. Porém, guardar os ensinos de Cristo não significa retê-los, mas obedecê-los. O discípulo que obedece ensina, pois sabe que essa não é uma atribuição só de teólogos, pastores ou professores da EBD, mas sim de todo o seguidor de Cristo.
Todo discípulo deve ser um conhecedor da palavra de Deus para que poça pregar com convicção e autoridade a outros. A divulgação do evangelho, só deve acontecer se os alunos realmente acreditarem nos ensinamentos da Bíblia. “Se alguém promove o que faz, crê na sua eficácia”, diz Dornas em seu livro.[12]
Uma pessoa convicta de que a Bíblia é poder para a salvação prega sem mesmo abir a boca, só por meio de ações. Jesus, Paulo e outros discípulos pregavam com autoridade por conhecerem a palavra de Deus e colocar todo ensino em prática.
Contextualize a Bíblia tendo em mente os não crentes
Um colega de trabalho me disse que gostaria de estudar a Bíblia e me perguntou qual seria os livros mais fáceis de serem compreendidos. Disse para ele ler os Evangelhos. No outro dia, ele me disse que havia corrido todas as paginas da Bíblia por várias horas, na tentativa de encontrar o livro chamado “Evangelhos”, mas não achou. Errei por não conhecer o contexto de meu amigo.
Os professores devem saber transmitir o conhecimento de forma com que os alunos e visitantes entendam as aulas da EBD. Devem utilizar um linguajar claro para os dois públicos, contextualizando sempre a palavra de Deus. Precisam transmitir conhecimento de forma simples ainda que com conteúdo. Deve conhecer o contexto de sua comunidade e estar pronto para a mudança.
O professor Eudes Martins da Silva, editor da Editora Vida, diz que: “Não adianta seguir modelos rígidos, é preciso adaptar-se”.[14] Isto quer dizer que os educadores devem estar prontos para atender as necessidades daqueles que por algum motivo não podem frequentar a EBD no domingo pela manhã, mas que pode assistir a aulas em dias e horários diferentes dos tradicionais. Isto pode ser realizado pelos professores, evangelistas ou pastores da igreja.
Conduza os alunos a um culto verdadeiro
Em entrevista para a revista Vinde, edição 46, a jornalista Mirian Leitão disse que o estudo da Bíblia influenciou muito a sua conduta profissional e ética e que a EBD foi fundamental para a formação de seu caráter.[15] Esta é na verdade o resultado de uma EDB verdadeira que tem como objetivo educar discípulos para serem semelhantes ao nosso mestre Jesus Cristo.
A EBD tem como um de seus mais sublimados objetivos justamente a educação do homem. Prestemos atenção a estas palavras de Paulo: “Toda Escritura é devidamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17).
A Escola Bíblica Dominical é o local onde a liderança fiel a escritura deve deixar claro as suas posições sobre todos os assuntos que envolvem a igreja como: homossexualismo, aborto, liturgia, louvor e adoração, estilo de música, pecados entre outros. Igrejas com problemas doutrinários e que estão se dividindo são em grande parte igrejas que não tem a EBD e seus ensinos como um dos focos principais. Membros que não sabem ao certo a posição de suas igrejas para determinados assuntos, acabam se chocando com opiniões divergentes.
Conclusão
O estudo da Bíblia e o plano de Deus e nossa responsabilidade é avaliar as nossas Escolas Dominicais continuamente para que elas não percam o foco. Os educadores e líderes da EBD, devem se preparar continuamente para acompanhar o mundo e se manter atual e relevante. Isto faz com que a EBD deixe de ser algo ultrapassado, para se tornar um dos grandes instrumentos de evangelização. Além disso,  nós pais, não podemos terceirizar a tarefa de ensinar a Bíblia aos nossos filhos. Desafio você a redescobrir a alegria não só das manhãs de domingo, mas também do conhecer a palavra de Deus e anunciá-la principalmente aos seus filhos dia após dia.



A Importância da EBD





(Palestra proferida na PIB Camargo Novo - Abril/2013)
Introdução: Interessante a necessidade hoje de ouvirmos uma palestra sobre a importância da EBD para a Igreja. Isto há dez ou vinte anos atrás seria desnecessário. Cada crente que se convertia era automaticamente conscientizado da importância da EBD para seu desenvolvimento na caminhada cristã. Além disso, seus discipuladores, seus novos irmãos estavam engajados na EBD e isto servia de modelo e de exemplo a ser seguido.
Hoje, A EBD tem caído em descrédito. Antigamente de alunos superava o numero de membros da Igreja. Hoje, os matriculados representam uma pequena porcentagem da Igreja.
 Em nossa sociedade pós-moderna é ensinado e divulgado que não existem verdades absolutas, tudo é relativo. Essa filosofia questiona autoridade das Sagradas Escrituras, a sua veracidade e aplicação relevante na vida prática.
  Na Europa, com a influência do “Liberalismo teológico” que coloca em xeque a autenticidade da Bíblia reduzindo-a a um livro mitológico, as Igrejas estão cada vez mais vazias e em muitas localidades já não existe nem EBD, nem nada que se pareça com ela. Em países como nos EUA, por exemplo o descrédito se dá por conta da tese de que as pessoas precisam de lazer e só tem o domingo para piqueniques e passeios em família.
O resultado é a secularização desta geração e o pior, estudos recentes na área das Religiões até com certa confiabilidade faz uma previsão assustadora. Se este quadro persistir, em algumas décadas a Europa e boa parte do mundo Ocidental será convertida ao Islamismo por conta de seu rigor no ensino infantil do Alcorão.
No Brasil, a situação não é muito diferente. É só observar que em muitas Igrejas já não existe EBD e as que ainda têm, estão com uma freqüência bastante pequena.
Penso não ser coincidência este declínio se dar justamente,  em um tempo em que mais precisamos de Conhecimento da Palavra. Falsos mestres, falsas religiões, falsos ensinos se proliferam todos os dias. A Biblia faz uma advertência sobre este tempo I Tim 4:1; II Tim 4:3
I-Origem da EBD
- Ela nasceu do coração e da visão de um jornalista Episcopal chamado Robert Raikes em 27 de julho de 1780.Certo dia em sua sala enquanto escrevia acerca do sistema carcerário na Inglaterra, observou de sua janela crianças de sua cidade sem horizontes, sem rumo, falando palavrão e largadas nas ruas. O índice de criminalidade juvenil estava em alta.
Isto se deu  bem na época da Revolução industrial em que tanto os pais como os filhos trabalhavam nas fábricas. Aos domingos enquanto os pais descansavam, as crianças e adolescentes ficavam jogados nas ruas sem estudo, sem nenhum cuidado do governo.  Não havia escolas publicas. Os mais abastados colocavam seus filhos em escolas particulares enquanto os filhos dos operários ficavam a míngua sem nenhuma assistência.
Comovido com esta situação, Raikes saiu pelas ruas convidando os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Junto com o ensino religioso, ele também ministrava aulas de gramática, história, matemática etc.
Não demorou muito e a escola de Raikes já estava bem popular.Com a popularidade veio muita perseguição inclusive de muitas igrejas que criticava seu serviço no “dia do Senhor”.
 No dia 03 de Novembro de 1783 Raikes publicou os resultados de seu trabalho em seu Jornal. Este ficou sendo a data escolhida como o dia da fundação da Escola Dominical.
O Pastor Antonio Gilberto a esse respeito escreve: “Mal sabia Raikes que estava lançando os fundamentos de uma obra espiritual que atravessaria os séculos e abarcaria o globo, chegando até nós, a ponto de ter hoje dezenas de milhões de alunos e professores, sendo a maior e mais poderosa agencia de ensino da Palavra de Deus de que a Igreja dispõe”
No Brasil o nascedouro foi a cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1885. Neste dia os missionários escoceses Robert e Sara Kalley dirigiram a primeira EBD em solo brasileiro. O grupo era pequeno apenas cinco crianças, mas foi o suficiente para que este trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país.
II - O QUE É A EBD?
A Escola Dominical é uma agência de ensino do Reino de Deus
1-      É departamento mais importante da igreja, porque evangeliza enquanto ensina, cumprindo assim, de forma cabal, as duas principais demandas da Grande Comissão, que nos entregou o Senhor Jesus (Mt 28.19-20);
2-      É a única agência de educação popular de que dispõe a igreja, a fim de divulgar, de maneira devocional, sistemática e pedagógica, a Palavra de Deus sendo esta o livro texto da Escola Dominical. Como diz Hernandes Dias Lopes “É inspirada por Deus e escrita por homens santos; ela é nascida no céu, amada na terra e perseguida pelo inferno. A Bíblia é o livro dos livros: O livro mais lido e o mais negligenciado; o livro mais amado e o mais odiado; o livro mais publicado, mais comentado e mais difundido de toda a história da literatura universal”
3-      É lugar de discipulado, treinamento e aperfeiçoamento dos santos para obra do ministério. Essa escola informa, transforma e treina pessoas para a realização da obra de Deus.  Uma pesquisa efetuada pelo Dr. C. H. Bensonreferenda o que está sendo dito: “Um cálculo muito modesto assinala que 75% dos membros de todas as denominações, 85% dos obreiros e 95% dos pastores e missionários foram, em algum tempo, alunos da Escola Bíblica Dominical”.
Fica claro que há pelo menos quatro objetivos principais da Escola Dominical: ganhar almas, educar o ser humano na Palavra de Deus, desenvolver o caráter cristão e treinar obreiros.
III - O ENSINO DA BÍBLIA NO PASSAR DOS SÉCULOS
Esta ideia de ensino das Escrituras se vê por toda Bíblia. Na época de Moisés, dos Reis, dos profetas se observa facilmente a importância que se dava ao ensino das Escrituras para crianças e para o povo (Dt 6.7; 2 Cr 17.7-9 Ed 7.6;). No NT também poderíamos citar inúmeras passagens como Mt 7.29; Mt 28.19.20; At 28.31).
 O ministério de ensino fez parte vital da missão da igreja. O dom de ensino está em Romanos 12.7. Em Efésios 4.11-16, ao tratar da maturidade da igreja, Paulo mostra que o dom de ensinar é necessário para que ela seja madura.
Na época posterior ao NT, temos os Pais da Igreja que também se dedicaram ao ensino da Palavra entre eles poderíamos citar: Orígenes, Clemente de Alexandria, Justino o Mártir, Gregório Nazianzeno, Agostinho, Tomas de Aquino e outros teólogos igualmente ilustres. Seria injustiça não lembrarmos de reformadores como: Martinho Lutero, Zuínglio, Calvino só para citar alguns.
Isso aponta para o fato de que nunca teremos igrejas e crentes maduros sem o ensino bíblico consistente.
IV - CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO NA EBD
1-O ensino cristão não é meramente cognitivo, ou seja, a transmissão de dados e informações. O mestre cristão não ministra informações cristãs. Ministra vida, ministra experiência com Deus. Lemos em Oséias 4.6: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento…”. A palavra “conhecimento” é o hebraico da’at que é o conhecimento nos termos de “Adão conheceu a Eva sua mulher”.  É o conhecimento pela mais profunda experiência.  Isto lhe impõe um ônus: ele precisa ser uma pessoa que tenha experiência com Deus. Uma pessoa pode ser mestre secular de alta competência, e ser um péssimo mestre cristão. O mestre cristão não passa informações, mas transmite realidades espirituais que ele deve viver. O mais importante é vida. O conteúdo mais forte do ensino cristão é a vida
2- Na igreja, o Mestre que ensina os mestres é o Espírito Santo. O mestre cristão precisa ter um dom espiritual, e não apenas um dom natural.
Ele precisa ter uma vida em comunhão com Deus e sob orientação do Espírito Santo. Vida espiritual abundante é exigência do mestre cristão. E seu ensino não deve se restringir ao templo.  No tempo da EBD o ensino é exposto em forma de aula, mas ele deve continuar em todo lugar e deve se expressar na vida do discípulo, em todo lugar. Os alunos devem saber e ver que seu mestre vive o que ensina.
3-Nosso tema de ensino é o evangelho de Jesus Cristo - Observe nas passagens do Novo Testamento (principalmente Mt 28.18-20, Jo 14.26 e At 5.42). É este o ponto central. Nosso ensino e nossa pregação tem como eixo central Jesus. Ela não deve ser lugar para especulações sem sentido que não servem para a vida. O que temos ensinado na EBD?

V – ALGUNS CONSELHOS PARA MEUS COLEGAS PROFESSORES DA EBD
1-      O Professor de EBD precisa internalizar em sua vida o que ele ensina. É mais que saber a lição. É ser a lição. O mestre cristão precisa ter uma vida transformada pelo ensino do Espírito Santo ao seu coração, para transformar vidas com seu ensino. Ao comentar o texto em que João come o livro que o anjo lhe dá (Ap 10.9-10), Eugene Petterson fez esta observação: “João faz isto: come o livro – não apenas o lê. O livro agora é parte de seus terminais nervosos, de seus reflexos, de sua imaginação” John Maxwell “Ensinamos o que sabemos, mas transmitimos o que somos”.

2-      Ele transmite vida, não informações. Pode até trazer informações, mas elas precisam estar carregadas de vida.  Ler a Bíblia é sempre um ato de paixão e de humildade.
3-      Ter em mente o objetivo do ensino cristão. A meta do ensino está bem definida em Efésios 4.12-16. Mais que ter uma igreja bem doutrinada (o que é válido e necessário) é ter cristãos vivos, maduros e equilibrados.
4-      Precisa entender que não é um guru, mas um instrumento divino. O ensino cristão não cria dependência, mas forma pessoas para viverem suas vidas sob orientação do Espírito Santo. O mestre deve respeitar o aluno, não o vendo como uma criança, mas como um irmão a quem Deus quer usar e talvez até mais que a ele, o mestre. Devemos fazer discípulos de Jesus, não nossos. Lembre-se você não insubstituível. Você é apenas um instrumento nas mãos de Deus.

5-      Ser mestre cristão é algo muito sério. “Meus irmãos, somente poucos de vocês deveriam se tornar mestres na Igreja, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com mais rigor que os outros” (Tg 3.1). É glorioso, mas é pesado. Não deve nos intimidar, mas nos tornar conscientes da seriedade do que fazemos nos levando a uma consagração de vida ao Senhor para desempenho de nossa missão.

Conclusão: Valorize a EBD, ela tem sido um instrumento valioso nas mãos de Deus para Evangelização, discipulado, treinamento e aperfeiçoamento de obreiros ao longo de centenas de anos. Ore pelos diretores, professores e oficiais da EBD. Participe! Não traga seus filhos apenas, venha com eles, prestigie esta escola. Sem dúvida, você e seus filhos não vão se arrepender!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Onde está o erro na teologia da prosperidade?


Onde está o erro na teologia da prosperidade?


Por Alan Capriles

Teologia da Prosperidade não é algo teórico pra mim. Não preciso estudar para escrever acerca desse assunto, pois conheci essa doutrina pela prática. É claro que sinto vergonha em dizê-lo, mas devo confessar que já fui um dos pregadores dessa teologia errônea, que motiva a ganância nas pessoas. Essa foi uma fase que, graças a Deus, durou pouco tempo, mas que considero vergonhosa para o meu ministério.

Tudo começou quando participei de um famoso congresso, no qual seu preletor principal foi um pregador norte-americano, que veio a convite de um renomado pastor brasileiro. Como eu admirava muito esse pastor, especialmente por sua fidelidade às Escrituras, imaginei que qualquer pessoa indicada por ele deveria ser digna de confiança. E assim, fui absorvendo os ensinamentos daquele gringo, absolutamente desarmado de qualquer senso crítico. Ouvi coisas fascinantes, que eu nunca antes havia aprendido, mas que hoje percebo serem, em grande parte, distorções da Palavra de Deus. O pastor que eu tanto admirava também ficou fascinado por essa mensagem, a ponto de tornar-se o maior defensor dessa doutrina em nosso país. O problema é que, ao contrário do que aconteceu comigo, ele não se arrependeu, mas continuou propagando esse mal, usando a mídia para influenciar milhares de outros pastores, tanto no Brasil, quanto no mundo.

Gostaria que tudo não passasse de um terrível pesadelo, pois é angustiante testemunhar que isso está mesmo acontecendo! A teologia da prosperidade está se disseminando como gangrena pelo corpo de Cristo, de tal forma que é cada vez mais difícil se encontrar uma igreja que esteja livre dessa contaminação. Sendo assim, sinto-me na obrigação de escrever esse alerta. Mas devo esclarecer que meu combate não é contra pessoas e sim contra uma gravíssima distorção da doutrina cristã. Aos que prosseguirem nessa leitura, aconselho que peguem suas Bíblias e confiram se o que estou afirmando é mesmo da maneira como estou dizendo. “Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade.” (2 Co 13:8)

Em primeiro lugar, precisamos definir o que é a teologia da prosperidade. Em poucas palavras, a teologia da prosperidade é o conceito de que Deus deseja riqueza para todos os seus filhos e de que, se algum filho de Deus ainda não é rico, seria porque ele não está “semeando” corretamente. Segundo essa teologia, o semear corretamente seria ofertar dinheiro no ministério de alguém rico, ou em algum rico ministério, a fim de se colher da mesma prosperidade que essa pessoa ou instituição usufrui “da parte de Deus”. Basicamente, é isso.

Por considerar que a riqueza é prova da bênção de Deus, a teologia da prosperidade deprecia os pobres, tratando-os como se eles fossem todos miseráveis que estivessem a mendigar o pão. Mas isso não é verdade! Precisamos ter em mente que “pobreza” não é o mesmo que “miséria”. Apesar de todo miserável ser pobre, nem todo pobre é miserável. Uma pessoa que leva uma vida simples pode até ser considerada “pobre” pela sociedade, mas isso não significa que ela esteja na miséria. O problema é que a teologia da prosperidade não aceita que o cristão tenha uma vida simples.

É importante se enfatizar isso: a teologia da prosperidade não aceita que o cristão tenha uma vida simples. Para os defensores dessa teologia, “Deus não quer que você se contente com o pouco que tem, mas que busque cada vez mais e mais riquezas, pois desta forma Deus estará sendo glorificado na sua vida”. Sendo assim, a teologia da prosperidade é preconceituosa em relação aos pobres, chegando a dizer que pobreza é escravidão e que ser pobre é pecado! [1] Os pregadores dessa doutrina procuram convencer as pessoas de que Deus espera que elas o busquem com expectativas de uma recompensa, que seriam as riquezas materiais. Um famoso pastor brasileiro chegou a chamar de “trouxa” quem oferta a Deus somente por amor, sem esperar nada em troca.

Teólogos renomados, como John Piper [2], são diretos em denunciar que a teologia da prosperidade é “outro evangelho”, diferente do evangelho pregado por Jesus e pelos apóstolos. Isso é gravíssimo, pois Paulo declarou serem malditos aqueles que pregam outro evangelho (Gálatas 1:8-9). Mas não é difícil perceber porque se trata de outro evangelho. Basta considerarmos que a teologia da prosperidade nada mais é do que a troca da mensagem “Deus quer que você se arrependa” pela mensagem “Deus quer que você seja rico”.Obviamente, essa última mensagem é uma boa nova que consegue atrair multidões, razão pela qual tantos pregadores ficam fascinados por essa teologia. As pregações bíblicas, que levavam ao arrependimento, estão agora sendo substituídas por mensagens com títulos atraentes, tais como “Eu nasci pra ser feliz” ou “Uma vida de prosperidade” e isso têm enchido rapidamente as igrejas. Algo semelhante ocorre na maioria dos programas evangélicos da TV, nos quais a mensagem precisa ser agradável aos ouvintes a fim de que se obtenha mais audiência e, consequentemente, mais colaboradores para se pagar o programa.

Aliás, foi num desses programas evangélicos da TV que um conhecido pastor desafiou que alguém apontasse o erro teológico em uma de suas mensagens acerca de prosperidade. Aceitei o desafio e analisei biblicamente a mensagem. Como eu já suspeitava, o “veneno” dessa teologia estava sutilmente espalhado pela pregação, passando despercebido para quem não estiver atento, ou para os que não conhecem o verdadeiro evangelho de Cristo. (Meu próximo artigo será uma análise completa dessa mensagem, na qual já estou trabalhando)

Mas, dentre todos os erros, gostaria de destacar aquele que é suficiente para se derrubar essa falsa doutrina:

A teologia da prosperidade é frontalmente contrária aos ensinos de Cristo e dos apóstolos em relação a se acumular ou se desejar as riquezas deste mundo.

O que estou afirmando pode ser facilmente comprovado, bastando que se faça uma simples releitura do Novo Testamento. De fato, foi exatamente assim que me dei conta do meu erro e de que precisava abandonar completamente esse falso evangelho. Qualquer cristão que faça uma releitura dos evangelhos e das epístolas poderá ter o mesmo despertamento para a verdade! O problema é que muitos quase não leem o Novo Testamento e a maioria dos pastores só abrem suas bíblias “profissionalmente”, a fim de procurar textos para pregar – textos que, na maioria das vezes, estão no Antigo Testamento. [3]

Mas, consciente de que essa releitura bíblica demanda certo tempo, relaciono a seguir alguns desses versículos, os quais são totalmente opostos à teologia da prosperidade. Deixo também um pequeno comentário acerca de cada trecho, mas estou certo de que a Palavra de Deus é poderosa, por si mesma, para derrubar essa falsa doutrina.

Primeiramente, consideremos o que o Senhor Jesus nos ensinou – considerando também que, se o chamamos de Senhor, deveríamos obedecê-lo (Lc 6:46), ao invés de ignorar ou distorcer suas ordens, que são tão claras e diretas:

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:19-21)“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra” é uma ordem direta. Não precisamos estudar teologia para compreender algo tão evidente.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mateus 6:24-25) O Senhor nos obriga escolher entre Deus e as riquezas. Não é possível servir aos dois. Ou vivemos pelo “ser”, buscando a Deus para sermos uma nova criatura que frutifique em amor para sua glória, ou vivemos pelo “ter”, buscando acumular riquezas materiais na ilusão de que isso glorifica a Deus. 

“Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” (Lucas 12:15) Confira também o restante desse capítulo, no qual o Senhor deixa claro que a nossa vida consiste em sermos ricos “para com Deus”, o que nada tem a ver com ter abundância de bens. 

“Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.”(Lucas 12:33,34) Jesus ordenou esse desprendimento a todos, não somente aos apóstolos. Juntar tesouros nos céus significa crescer em virtudes e valores, tais como a compaixão e a humildade – devendo ser esse o foco da nossa vida, o crescimento espiritual, e não o ganhar mais dinheiro. 

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.”(Lucas 14:33) Ao invés de ensinar a renúncia, a teologia da prosperidade ensina a ganância. 

“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.”(Marcos 10:25) Sendo as riquezas algo tão perigoso, a ponto de colocar em risco a própria salvação, por que Jesus iria querer que seus seguidores fossem ricos? Mas a teologia da prosperidade ensina essa mentira, a de que Deus deseja que todos os seus filhos sejam ricos.
Agora, consideremos como viviam os primeiros (e genuínos) cristãos, segundo nos é revelado no livro de Atos dos Apóstolos:

“Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.”(Atos 2:45) Isso nos mostra o desapego que os discípulos tinham em relação aos bens materiais, porque eles compreendiam que a verdadeira riqueza é Cristo. 

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.” (Atos 4:32) Havia um desejo por compartilhar, muito diferente da cobiça e ganância que é gerada pelos pregadores da teologia da prosperidade. 

“Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.” (Atos 4:34-35) Será que os pregadores da prosperidade, que chamam as ofertas de “sementes” e que pedem para “semear” em seus ministérios, estariam dispostos a repartir o dinheiro que arrecadam com quem tiver necessidade?
E, finalmente, consideremos o que ensinaram os verdadeiros apóstolos:

“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.”(1Timóteo 6:7-11) “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” é o contrário do que ensina a teologia da prosperidade, que motiva o crente a querer ser rico, mesmo com a advertência de Paulo, de que “os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” É difícil compreender como um crente pode ser tão cego e continuar desejando riquezas, quando Paulo nos ordena fugir dessas coisas. 

“Sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir”(1Timóteo 6:18) Foi isso que Paulo instruiu que Timóteo dissesse aos ricos. Eis a verdadeira riqueza que Deus espera encontrar em nós: o amor ao próximo, não somente de palavras, mas por obras e em verdade. 

"Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo."(Romanos 14:17) Para os pregadores da teologia da prosperidade, no entanto, o reino de Deus é comer o melhor desta terra. 

“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”(Hebreus 13:5) “Contentai-vos com as coisas que tendes”. Será preciso dizer mais alguma coisa?
É tão claro e evidente que a teologia da prosperidade contraria o ensino de Cristo e dos apóstolos que me sinto ridículo em mostrar esses versículos. Todo cristão já deveria saber disso! Para que fique ainda mais evidente o contraste, comparemos o ensino da doutrina cristã com aquilo que ensinam os pregadores dessa teologia diabólica:

Sobre o acúmulo de bens materiais

Ensino de Jesus e dos apóstolos:
Não acumulem bens sobre a terra, a não ser para se repartir com os necessitados. 

Ensino da teologia da prosperidade:
“Quanto mais bens você acumular para si mesmo, maior será o sinal da bênção de Deus sobre a sua vida”. 
Sobre desejar as riquezas

Ensino de Jesus e dos apóstolos:
Não devemos desejar riquezas.

Ensino da teologia da prosperidade:
“Devemos desejar riquezas.” 
Sobre o contentamento

Ensino de Jesus e dos apóstolos:
Devemos viver contentes com o que temos. 

Ensino da teologia da prosperidade:
“Não devemos nos contentar com pouco.” 
Sobre os pobres

Ensino de Jesus e dos apóstolos:
Os pobres são bem-aventurados. (Lc 6:20; Tg 2:5) 

Ensino da teologia da prosperidade:
Pobreza é escravidão e ser pobre é pecado.
Antes de concluir, quero esclarecer que não faço apologia da pobreza, como se ela fosse um fim em si mesma. Ser pobre não é sinônimo de salvação, assim como ser rico não é sinônimo de perdição. Embora Jesus tenha afirmado que um rico dificilmente consegue entrar no reino de Deus, ele mesmo completou que "os impossíveis dos homens são possíveis para Deus." (Lucas 18:25-27) No entanto, fazer dessa ressalva de Jesus uma norma é como fazer da exceção a regra.

Encerro com o testemunho de Jim Bakker, pastor norte-americano que se enriqueceu pregando a teologia da prosperidade, ou seja, convencendo seus ouvintes a que semeassem dinheiro em seu ministério, com a promessa de que ficariam ricos. Após perder toda a sua pequena fortuna e se ver na pobreza, Bakker se dedicou a examinar as Escrituras, a fim de encontrar o que havia saído errado. Acerca disso, ele escreveu:

“Passei meses lendo cada palavra dita por Jesus. Eu as escrevi por muitas e muitas vezes, e também as li por muitas e muitas vezes. Se você aceitar o conselho inteiro da Palavra de Deus, não há como interpretar as riquezas ou as coisas materiais como um sinal da bênção de Deus [...] Já pedi que Deus me perdoasse por haver pregado a prosperidade terrena. Jesus não ensinou que as riquezas são um sinal da bênção de Deus. Jesus disse: ‘Estreito é o caminho que conduz à vida e são poucos os que entram por ele’. [...] Já está na hora de conclamação sobre o púlpito ser mudada de ‘quem quer uma vida de prazeres, casas novas, carros, possessões e bens materiais’ para ‘quem quer vir à frente e receber Jesus Cristo, para segui-lo em seus sofrimentos.” [4]

Jim Bakker releu os livros do Novo Testamento e despertou para a verdade. Só que foi tarde demais para ele, que além de perder todo seu dinheiro, ainda foi condenado por 24 acusações de fraude. [5] Releia os ensinamentos de Cristo, antes que seja tarde demais para você.

“Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo
e não somente de crerdes nele” (Filipenses 1:29)
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[1] “Pobreza é escravidão!” – “Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira” – página xxvii – 1ª edição – editora Central Gospel (2007).
“Ser pobre é pecado” – Robert Tilton, “Success-N-Life”, programa pela televisão (27 de dezembro de 1990)
[2] Assista Jonh Piper falar sobre a teologia da prosperidade clicando aqui.
[3] Acerca do cuidado que devemos ter ao se pregar no Antigo Testamento, destaco a seguinte declaração do príncipe dos pregadores: “O antigo pacto era [de fato] um pacto de prosperidade. O novo pacto é [no entanto] um pacto de adversidades, mediante o qual estamos sendo desmamados deste mundo presente e nos preparando para o mundo vindouro.” (Charles Haddon Spurgeon, comentando sobre Jó 8:11-13, sermão 651 dos sermões pregados durante o ano de 1865)
[4] Jim Bakker, citado por Terry Mattingly, “Prosperity Christian’ Sing a Diferent Tune” Rocky Mountain News (16 de agosto de 1992), pág. 158.
[5] HANEGRAAFF, Hank - Cristianismo em Crise - 4ª edição (CPAD - 2004) Pág. 233

domingo, 26 de abril de 2015

Bíblia e arqueologia


A História de Pompeia – o Vesúvio


Provavelmente fundada no século 6 aC, Pompeia tornou-se uma cidade romana em 80 aC. No primeiro século dC, serviu como uma cidade de veraneio para romanos ricos, como exemplificado por mosaicos da cidade, murais, jardins, fontes, e Spas privativos. Tudo isso mudou no ano de 79, quando uma erupção vulcânica cobriu a cidade de Pompeia com cinzas e lama quente, deixando-a enterrada. Foi arrancada às cinzas no século 18 e 19. Os estudiosos discordam sobre a população de Pompeia no momento em que ela foi destruída, com estimativas que variam de 12.000 a 30.000 habitantes.

Monte Vesúvio
A erupção do Monte Vesúvio em 24 de agosto de 79 dC, que sepultou a cidades de Pompeia e Herculano, foi testemunhado e registado por Plínio, o Jovem (62-112 dC) Plínio foi mais tarde um senador romano e sobrinho de Plínio, o Velho. Em duas cartas ao seu amigo Tácito, o famoso historiador, Plínio o Jovem regista em detalhes vívidos tal como o fazia o seu tio, o almirante de uma frota romana estacionada em Miseno, foi morto pela fumo e cinzas. Plínio, o Jovem tinha 17 anos na época. Ele observou que o evento Miseno, na ponta noroeste da Baía de Nápoles. O Monte Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa continental e a última erupção foi em 1944.


Anfiteatro
Construído antes do Coliseu de Roma, este anfiteatro (80 aC) é uma das mais antigas e mais bem preservado do mundo. Ele poderia acomodar 10.000 espectadores. Este foi o local de um famoso motim em 59 dC, que se seguiu entre Pompeia e a cidade vizinha de Nuceria durante um espectáculo de gladiadores. Devido ao número de mortes do motim, o Senado proibiu todos os jogos a serem realizados no anfiteatro na década seguinte.
As Ruas
As ruas de Pompeia eram compostas de grandes polígonos em forma de pedras vulcânicas. Os centros das ruas eram levantados para que o escoamento de drenagem para as calhas laterais. Não foi, no entanto, criado nenhum sistema de drenagem para as calhas, e, assim, acumulava-se a sujidade nas ruas. Passeios pedonais foram construídos de pedras levantadas que os pedestres podiam circular nas ruas sem pisar na sujeira e lama. Os espaços entre as pedras permitiam às carroças e as charretes puxadas por cavalos passar com as rodas. Há ainda quem defenda que esses espaços foram feitos pelas rodas.

As Casas
Pompeia estava situada numa planície e espécie de península. As ruas eram paralelas e cruzavam-se em ângulos retos. Cada ínsula era murada e mais continha uma mistura de habitações, lojas e restaurantes. Pompeia não foi dividida por classes de renda, e as casas dos ricos podem ser encontradas ao lado das casas dos pobres ou trabalhadores. A casa átrio era o estilo mais comum de casa.
Moldes das Vítimas Vesúvio
Embora muitas pessoas tenham fugido quando o Vesúvio deu os primeiros sinais de erupção, alguns habitantes de Pompeia ou foram incapazes de fugir ou escolheram permanecer. Os seus corpos foram selados pelas cinzas e pedra-pomes. Quando os corpos decompostos depois, eles deixaram para trás cavidades com impressões que preservam os mínimos detalhes dos corpos. As cavidades são essencialmente moldes, e arqueólogos foram capazes de desenvolver um método para a criação de moldes de corpos através de bombeamento de gesso para a cavidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Camelo ou corda?

Espero poder ajudar nesta mensagem. pesquisando tomei conhecimento de erros interpretativos, e encontrei este estudo exegético, e procuro sempre e dentro do possível buscar dentro do Grego e/ou Hebraico, porém com uma interpretação fundamentada. Deixo a paz do Senhor com todos.

Camelo ou corda?
Há muitas atrocidades interpretativas fruto da imaginação de exegetas e tradutores de grego amadores. Uma que já vi de difícil diagnóstico e solução é aquela sobre Mt 19.24 que lemos: “E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino dos céus”. A palavra grega traduzida por “camelo” é κάμηλος, mas numa leitura variante de manuscritos gregos encontramos κάμιλος que significa “corda grossa”. Já outros têm dito que o buraco em questão era um fenda que existia em Israel que não permite um camelo passar porque este animal não consegue fazer um contorção no corpo. É evidente que algum copista tentou amenizar a hipérbole feita por Jesus no texto em questão. Mas e então, como sair desse entrave e impasse?
Minha solução vem da etimologia da palavra grega para “agulha” que também ocorre no texto. A palavra grega é ραφίς derivada de ράπτω e ραφή com significados respectivos de “costurar” e “costura”, desse modo, o buraco em questão é mesmo de uma agulha de costura, e não de alguma fenda rochosa. O contexto da passagem mostra que os discípulos ficaram surpresos entendendo claramente a ideia da impossibilidade sugerida por Jesus. Não há motivo justificável para se mudar a força da expressão “um camelo passar por um buraco de uma agulha” para “uma corda”. Tal mudança empobrece a frase, enfraquecendo da figura de linguagem. 
Tenho muitas vezes parafraseado a frase de Jesus, substituindo “camelo” por “planeta” quando quero falar de algo impossível para provocar a sugestão de hipérbole. Por exemplo:
“É mais fácil passar o planeta Terra por um buraco de uma agulha do que um pobre de espírito sair do Reino de Deus. Porque não é assim o dom gratuito como a ofensa, porque, se pela ofensa de um morreram muitos, MUITO MAIS a graça de Deus, e dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo (Rm 5.15)?”. 
Portanto, nada justifica amenizar a hipérbole, mas sim aumentá-la.

Jesus, o verbo encarnado João 1: 1-15


Conhecer sua origem e permanência
entre nós consolida  nossa fé. Saber que Jesus esteve conosco estabelece motivação
para vencermos as constantes lutas
que enfrentamos.

Deus reservou aos homens o melhor de sua glória ao planejar o envio de seu Filho ao mundo. Toda a experiência de uma pessoa com Jesus em seu início é rasa, levando em conta a dureza dos nossos corações, gerada pelo pecado.

No entanto, a perseverança e firmeza neste propósito leva-nos a dimensões consideráveis desta fonte de vida e poder que o relacionamento mais íntimo de Jesus com os homens oferece.


I - O VERBO E SUA ORIGEM

O Evangelho de João é o canal de Deus para nos fazer compreender sobre a presença de Jesus, o Verbo divino, entre homens. Jesus não é uma criatura de Deus. Uma coisa é avaliar, através da Bíblia, nas citações dos apóstolos, a magistral encarnação do Verbo entre nós; outra é poder, na mesma Bíblia, ouvir Jesus falando com seus próprios lábios, identificando-se como aquele que sempre foi, sempre é, e sempre será o Filho glorificado que, mesmo tendo deixado a glória momentânea, providencialmente retornou com honras.
De forma clara vemos isso na oração sacerdotal, quando Ele mesmo confirma sua existência eterna: “antes que houvesse mundo", Jo 17: 5. 
a)   A origem. Enquanto os três outros Evangelhos iniciam-se falando sobre o nascimento de Jesus, João, indo muito mais distante, revela sua existência antes da criação: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus... e o Verbo era Deus”, 1: 1.
Refere-se a um tempo a que chama de princípio que, em consonância com Gn. 1: 1, também revela um tempo ocorrido antes da obra criadora de Deus, Col. 1: 17.
b) O propósito. Isso nos leva a entender o grande amor de Deus e seus desígnios. Podemos saber que Deus não se assentou no vazio de uma terra sem forma para comandar o nada, mas planejou a sua obra e a estabeleceu para fazer o homem coroa de sua criação e que nisto sentiu prazer e deleite. Ef. 3: 9 aponta também para este princípio quando diz: “desde os séculos oculto em Deus...
c) A visão dos profetas. Antes da encarnação de Jesus, sua vinda era contemplada, crida e aceita pela fé. Isaías disse que o povo que andava em trevas (os perdidos) viu uma grande luz, Is. 9: 2. 
 

II - A ENCARNAÇÃO DO VERBO

Depois de considerar a existência e capacidade do Verbo, João passa a mostrar em síntese o processo completo de sua humanização, usando duas palavras: verbo e luz.
a) Luz dos homens. Primeiro fala da presença do Verbo com Deus, sendo Deus, agindo como Deus, para depois falar da luz, no extraordinário verso 4. Nesse ponto Deus está graciosa e generosamente voltando-se para o homem. Luz é um termo para homens, é vida, e contrasta com trevas, a morte eterna. Luz é algo novo, que contrasta com a ideia de antiguidade expressa por “no princípio”.
b) Habitou entre os homens. O verso 14 relata uma das mais conhecidas citações em toda a Bíblia: “0 Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai.” Além de outras grandes lições, esta passagem deixa claro o ponto básico deste estudo: a encarnação do Verbo. Recebeu forma humana e tabernaculou entre os homens.


Que fato extraordinário quando visto de nossa frágil perspectiva: um Deus tão gigante e glorioso se digna assumir de forma mais direta e envolvente possível a nossa conjuntura desgastada. E apresentou-se cheio de graça e de verdade entre os homens.
c) O nascimento. Assim, em Lc. 1: 31-35 temos a mensagem do anúncio do nascimento de Jesus a Maria, como uma introdução maravilhosa, onde Deus, por causa de sua santidade e propósito, revela que Maria ficaria grávida pelo Espírito Santo. O texto de Lc. 2 : 7 registra o nascimento em seu momento preciso: “E ela deu à luz...” concretizando a encarnação majestosa.
d) O nome Jesus. Deus nunca precisou, no tocante a si mesmo, de nome ou nomes para ser visto. Mas já que o propósito da intervenção de Deus, no que se refere à salvação, era Jesus, então uma identidade divina entre os homens precisava ser alcançada. E por isto Deus ordenou ao seu anjo que levasse a Maria o nome que o seu Filho obteria na terra: Lc. 1: 3. Jesus, no hebraico, quer dizer salvador.
 

III - O CARÁTER DO VERBO

Depois de ter considerado a origem e a encarnação do Verbo, para conhecê-lo melhor, vejamos agora o seu caráter, baseados no texto de Cl. 1: 15-17.
a) A imagem visível. O v. 15 diz que Jesus é a imagem do Deus invisível, apontando para a revelação do próprio Deus, pois a expressão imagem está ligada também à encarnação, ou seja, é uma forma humana de se ver Deus.
b) Primogênito. Termo que Paulo usa para definir a característica de Jesus como aquele que se revela ao mundo e pode ser percebido por aqueles que crerem nEle.
c) Criador. Termo usado para se referir a Jesus, v.16, confirmando sua participação na obra criadora. Todavia mais excelente aqui é o destaque sobre sua relevância sublime no céu.
Se admitimos que Ele também estava no princípio e que é feitor de todas as coisas, admitimos também que é poderoso pela e entre as obras que fez. De fato, o v. 17 informa sobre sua preexistência e salienta o seu domínio. Isso está claramente confirmado em Hb 1: 2-3, onde o desconhecido escritor aborda também, além da revelação que nEle consiste, a excelência do seu nome, e sua superioridade entre os anjos.
Prossigamos sem temor, depois de termos entendido a grandeza de Deus, e de como se revelou através de seu Filho  que se encarnou, favorecendo-nos em nossa salvação.